Você tem certeza?

Quando encontrei o Rinpoche, quis ter a impressão de apenas ter conhecido um mestre, budista, “velhinho” e bizarro. Em seguida veio a sensação de uma familiaridade muito, muito forte, e a distância que naturalmente existiria entre uma mineira matuta e um mestre do Tibete trazia um inexplicável desconforto. Meses depois, como se olhasse para minha vida depois de um furacão, estava eu, bem do ladinho dele inúmeras vezes, literalmente sacudindo minha cabeça para não ter meus pensamentos revelados, mas aí já não adiantava mais. Quanto mais me esquivava, eu ouvia: are you sure? (Você tem certeza?)
[Contada por Liliane Souza]