Vidas

Quando fui para a India com o Rinpoche no final de 99 em peregrinação, viajamos bastante de ônibus por lá. Em uma dessas viagens, estávamos há umas quatro horas nas difíceis estradas indianas quando o Rinpoche falou para o motorista: “É aqui mesmo, pode parar!”. Eu olhei ao redor e só vi mato seco. Mesmo assim, descemos do ônibus e começamos a caminhar em uma pequena trilha que mal se via. Logo, encontramos umas poucas ruínas onde paramos e sentamos no chão, esperando o Rinpoche falar alguma coisa.

Depois de alguns instantes em silêncio, algumas lágrimas começaram a cair dos olhos do Rinpoche. Ele nos explicou que, há muito tempo atrás, talvez na época do Buda, ele havia sido um monge no mosteiro que agora eram aquelas ruínas. Ali, naquela vida, o Rinpoche foi picado por uma cobra. Ele ainda lembrava de sua morte muito jovem e da tristeza que teve em deixar seus amigos da sanga.

Esse foi um momento muito marcante na minha memória sobre o Rinpoche, de quantas e quantas vidas ele já vinha praticando o dharma e da imensidão do mestre que estava na minha frente.

[Contada por Junior Cordenonsi]