Um momento mágico

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Um grande mestre dá a cada um dos seus estudantes o remédio necessário para que acorde e tire os óculos da ilusão. Existem aqueles que dele receberam o calor do sorriso, o chamado da intimidade. A dureza do meu carma exigiu tratamento irado: o gelo do olhar, a palavra que ao revelar me deixava prostrada de vergonha.

Um dia nos cruzamos na saída posterior do templo. Curvei-me com humildade à sua passagem. Ele me olhou e, por um breve segundo, tão curto como o cintilar de uma faísca, deixou-me entrever um mar imenso, profundo e extraordinário de amor. Fiquei paralisada, embasbacada, como se fica quando se entrevê algo excepcional. Era uma janela para o infinito, maior do que cabia na minha mente estreita. A resposta ao meu espanto foi que ele baixou as pálpebras fechando a cortina. Tudo ficou comum outra vez.

Se há um pedido que sempre faço é que ele me dê nova chance, que me deixe banhar a saudade neste incomensurável mar de amor.

[Contada por Yvonne Vieira]