Rinpoche em Curitiba

Parque Tanguá 02

Em agosto de 2008 fez 10 anos que tivemos a bênção de conhecer o Rinpoche durante a inauguração do Dordje Ling em Curitiba. No início, o centro ficava na minha casa, pois eu e minha família oferecemos de todo o coração nosso salão de festa para inaugurar rapidamente um Gonpa.

Devido à sua energia maravilhosa, queríamos ficar perto do Rinpoche para sempre, nem que fosse só olhando. Nos divertimos muito, por exemplo, quando fomos buscá-lo no aeroporto e o perdemos. Saímos um para cada lado, desesperados e inconformados por tê-lo perdido de vista, quando vimos uma pequena multidão assistindo ao que um policial descreveu como “uma senhora andando no elevador panorâmico”: lá estava Rinpoche, entretido, subindo e descendo no elevador. Ficamos apenas parados olhando porque ele parecia estar gostando muito. Outra vez, no mesmo aeroporto, Rinpoche desafiou nossa pressa com o início de um evento decidindo comer um X-salada “exatamente como o colorido da propaganda do painel” que a lanchonete mostrava. Foi a maior graça.

O passeio pelo Shopping Mueller foi outra diversão. Tudo ele gostava, entrava em cada loja e fazia o mudra de oferenda de mandala até que, em uma delas, experimentou um agasalho que gostou. Comprei-o e ele saiu da loja vestindo o presente, quase correndo de alegria pelos corredores, parecendo uma criança feliz.

Bosque Papa João XXIII

Em uma segunda-feira, decidimos levá-lo para um city tour, mas eu não sabia que a maior parte dos pontos turísticos ficam fechados para limpeza e conservação nas segundas. Apesar disso, foram poucos os lugares que não conseguimos conhecer. Onde Rinpoche chegava, as portas se abriam. Os funcionários que estavam trabalhando faziam questão de deixá-lo entrar.

No Parque Papa João II, o funcionário que abriu o portão estava justamente naquela hora lendo a reportagem do evento no jornal local, que trazia uma foto de Rinpoche. O funcionário ficou tão emocionado que pediu autógrafo no próprio jornal.

Esse foi o local que o Rinpoche mais gostou. Construído em homenagem ao Papa quando de sua primeira visita ao Brasil em Curitiba, o parque tem casas rústicas construídas com troncos maciços de árvores. Rinpoche pediu ao Lama Norbu que verificasse em detalhes como era tudo. Foi tanta emoção, tanta energia boa que até hoje não tem como esquecer.

Inauguração Dordje Ling 03

Outra coisa que Rinpoche gostou muito foi a costela que meu marido Celso fez especialmente para ele. A costela é colocada para assar na churrasqueira um dia antes e, ao ser consumida, está derretendo de tão macia. Ao final de um lindo ensinamento, já por volta de meia noite, ele desceu do Gonpa e, sentadinho todo lindo em nossa cozinha, começou a comer. Gostou tanto que perguntava ao meu marido como foi feita e pediu à Andréa que anotasse tudo.

Ao final de um outro ensinamento, sentamos no terraço externo que ficava anexo ao Gonpa e rimos como nunca das piadas do Rinpoche. Ele ria mais do que todos. Não tinha como não nos divertirmos com tanto amor, compaixão e alegria que ele transmitia.

Foram dois anos maravilhosos, que deixaram lembranças inesquecíveis e que mudaram a vida de todos. Mudaram para melhor, pois, ao lembrarmos as experiências maravilhosas, apesar de tanta dor de saudade, nos sentimos felizes simplesmente por termos conhecido o Rinpoche.

[Contada por Sumaia]