Quadro Abençoado

Certa vez, uma pessoa da nossa sanga começou a fazer pinturas de deidades e a colocar na lojinha pra vender. Quando eu vi, pensei: “Não acredito que essa pessoa está colocando isso aqui.” A pintura estava muito feia, tudo diferente, as medidas, as cores, mas, enfim, era eu com meus julgamentos, aquela questão de é isto ou aquilo. Eu olhava o desenho e não tinha jeito de gostar. No fim, o quadro ficou encalhado lá.
Aí, outro dia, o Rinpoche falou durante os ensinamentos que era legal a gente desenhar como prática. Porque, a princípio, as deidades pareciam mais demônios do que a própria deidade mas, aos poucos, a gente ia se aprimorando na visualização. Claro que eu lembrei do quadro. E ele completou dizendo que a gente não deveria desenhar de qualquer jeito, que existem as medidas e proporções corretas.
Só que depois eu bati o olho no quadro e ele estava completamente diferente. E perguntei para um amigo: “O quadro foi pintado de novo?” E ele respondeu: “Não, não, o Rinpoche abençoou.”
[Contada por um estudante]