Fortaleza

Conheci o Rinpoche num começo de noite de janeiro de 2001 durante um retiro de Dzogchen. Eu não estava fazendo o retiro, mas apareci no Khadro Ling com alguns amigos e na loja me aconselharam a falar com a Andréa (hoje Lama Sherab) para chegar ao Rinpoche.

No final do turno de prática, como a Lama Sherab havia prometido, o Rinpoche nos chamou mesmo antes que todos os praticantes saíssem do templo. Ficou aquele mundo de gente olhando e as outras duas pessoas que estavam comigo não quiseram falar com ele. Eu fui e entreguei um presente, uma rede no formato de uma cadeira, dessas de pendurar no teto. Ele abriu, riu e ficou olhando para o teto do templo como se fosse pendurar lá. Foi a maior risada. Eu quase tive um troço de tanta timidez.

No dia seguinte, ainda estávamos no Khadro Ling e, de repente, alguém disse que o Rinpoche estava no carro esperando para sair. Um monte de gente foi até o carro se despedir. Eu fui junto e, quando cheguei perto, pedi pra ele me dar uma benção. Ele colocou a mão na minha cabeça e ficou rezando um tempo. Eu não sei realmente descrever até hoje a sensação daquele momento.

Em 2002, o Rinpoche veio à Fortaleza e aí foi uma “viagem” andar com ele de carro pra lá e pra cá, com ele tentando ler um monte de placas e letreiros em português, perguntando o significado de cada uma. Na primeira palestra pública, havia quase 300 pessoas em um hotel, com a maior parte da platéia sentada no chão. Depois, nos ensinamentos, ele deu iniciação do Buda da Medicina com uma explicação sobre o surgimento das doenças a partir dos venenos da mente.

A alegria e o prazer que ele demonstrava com os lugares e as pessoas eram incríveis. Durante a participação em um programa de rádio local, ele ria o tempo todo. Era tudo muito rápido: a visita ao hospital das crianças com câncer, as bênçãos que ele dirigiu a tudo e a todos… a minha devoção só aumenta a cada dia, pois cada lembrança dessas fortifica a minha conexão com ele, com a Khadro, com a Lama Sherab, enfim com as atividades do Lama.

[Contada por Patrícia]