Costurês

Rinpoche

Eu nasci com o bom carma de saber costurar. Por isso, nas vésperas de um Drubtchen da Essência do Sidi, o Rinpoche me chamou para costurar os 16 djaltsens (estandartes da vitória, hoje feitos de fibra) que seriam colocados no telhado do templo.

A máquina de costura, presente de casamento da Khadro para o Rinpoche, estava no quarto de hóspedes no apartamento deles. Lá, encontrei sobre a cama muitas peças do brim que eu ia costurar. O Rinpoche foi muitas vezes até lá para ver o andamento das costuras e sentava no meio da cama explicando o que eu devia fazer. Ele abria o tecido e me explicava por meio de gestos, já que eu não falava inglês. Eu respondia com o polegar para cima, indicando que estava entendendo.

Foi aí que eu descobri uma nova língua, o costurês, que tive privilégio de falar com o mestre, também costureiro.

[Contada por Elusa Faria]