Carma

Uma vez, eu estava em uma festa surpresa para uma amiga da sanga. O Rinpoche também estava na festa. Ele comeu seu tsampa com guin e se retirou cedo depois de cantar para nós uma canção popular do Tibete.

Eu tinha deixado no carro de um amigo minha bagagem e meu material de prática, inclusive minha almofada, um katag e um zen. Mais tarde, meu amigo descobriu que haviam quebrado o vidro do carro e roubado minha mala com o material de prática. Fomos procurar meu material achando que as pessoas não iriam aproveitar sadanas ou o zen. Meu amigo só encontrou o katag, que ele nem pegou dizendo que o tinham usado para algo “não muito virtuoso”.

Fiquei dias remoendo isso e procurei o Rinpoche, querendo saber se aquilo era algum sinal. Depois de ouvir a tradutora relatando o que havia me acontecido, o Rinpoche disse: “Isto é apenas carma. Tudo é carma. Todo meu país foi roubado e isto foi apenas carma.”

[Contada por Luciano Ribeiro]