Brisa

Conheci Rinpoche na mesma época que a Lama Tsering chegou ao Brasil para dar ensinamentos que aconteciam numa pequena casa no Brooklin em São Paulo. A primeira vez que fui lá tinha acabado de sair da academia de ginástica. Me lembro de sentar e escutar o que aquela linda mulher falava com uma voz doce e angelical. Tudo era novo para mim. Quando acabou o ensinamento e fui falar com aquele ser maravilhoso.

Nesse momento, a Candinha perguntou quem poderia ir ao aeroporto buscar o Rinpoche com sua tradutora (Lama Sherab), seu filho e seu neto. Levantei a mão sem pensar e assim ficou decidido. Eu e a Ângela Belchior pegaríamos Rinpoche. Algo diferente aconteceu comigo nas duas noites seguintes: sonhei com o Rinpoche o sono inteiro. O detalhe é que eu nunca havia visto sequer uma foto dele.

Ângela me disse que sempre buscava o Rinpoche. Me explicou como eu deveria me portar e como seria a saudação na chegada. Rinpoche chegou usando cadeira de rodas, já que a viagem tinha sido muito cansativa. Fizemos as saudações de costume e fomos em direção ao estacionamento. Eu vinha atrás de todos, acompanhando aquela comitiva iluminada. O carro da Ângela estava à direita da saída do aeroporto e o meu à esquerda. De repente, Rinpoche, sendo conduzido para a direita, levantou a mão e disse ao rapaz do aeroporto que conduzia sua cadeira: “Stop, stop” (Pare, pare). Logo veio a Lama Sherab querendo saber o que estava acontecendo.

E o Rinpoche disse, apontando pra mim: “Eu não quero ir com ela, quero ir com ele”. Sei lá como ele sabia onde estavam os carros. Só sei que minhas pernas começaram a tremer e meu coração começou a bater a mil por hora. E assim foi. Ele se sentou ao meu lado e a Lama Sherab se sentou atrás. Isso foi o suficiente para mudar minha vida.

No dia seguinte, convidei Rinpoche para comer carpaccio no meu restaurante. O que ele prontamente aceitou. Almoçamos e nos divertimos muito. Mas, mais uma vez, Rinpoche surpreendeu a todos com sua presença iluminada. Quando estava saindo do restaurante, uma forte brisa com aroma de flores invadiu o lugar, deixando-nos maravilhados.

Foi assim que conheci meu guru, meu mestre. E é assim que lembro dele. Sorrindo. Sempre.

Contada por Miguel Bittar