Aos pés do mestre

 

O dia 14 de novembro amanheceu com promessa de sol e beleza. O tempo corria solto para o final do ano de 2002 e nosso retiro amadurecia nos seus 800 dias de práticas e aprendizado constante de domar a mente. Talvez nosso mestre viesse nos visitar! A cerca de bambu que nos separava do mundo era insuficiente para cercear nosso olhar que se alongava pela estrada à procura do mestre.

À tardinha, ele chegou! Corremos para recebê-lo. Sorrindo e falando amorosamente, dirigiu-se à sala de meditação. Rinpoche estava lindo, brilhando intensamente – parecia um noivo que cuidadosamente se arrumara para visitar a noiva. O chapéu vermelho o deixava mais garboso e a barba trançada dava um toque elegante ao seu rosto. Tudo estava perfeito! Sentamos aos seus pés ansiosos para ouvi-lo, olhar para ele, senti-lo pertinho. “Fique conosco Rinpoche!” era a súplica do meu coração.

Rinpoche demorou-se mais naquele dia, ensinou, explicou com detalhes os conteúdos mais difíceis, respondeu perguntas, contou histórias, brincou… Já era noite quando foi embora e queríamos mais! O carro afastou-se lentamente na escuridão e ficamos parados no portão olhando, olhando.

Um recado na manhã seguinte selou sua visita: “Mesmo que eu não esteja aqui, minhas bênçãos estarão com vocês!” Rinpoche morreu na madrugada do dia 17.

Meu Mestre Precioso, louvo sua vida e sua morte!

[Contada por Leda Volino]